Gol de Placa
A Copa do Mundo de 2014 se aproxima e as ações tomadas agora vão definir a qualidade do evento que o Brasil promoverá pela segunda vez. As partidas acontecerão em 12 cidades e serão transmitidas para quase todo o planeta (segundo dados da Fifa, cerca de 560 milhões de pessoas, de 240 países, assistiram pela TV a cada um dos jogos da Copa da Alemanha, o que resultou em uma audiência acumulada em quase 30 bilhões de espectadores). A preparação para receber turistas, delegações e jornalistas precisa ser minuciosa e estratégica, sempre tendo como referência o caderno de encargos da FIFA, com planejamento e foco.
Os governos - em todos os níveis - vêm tomando medidas e direcionando investimentos em praças esportivas e demais setores para atender às exigências para sediar a Copa de 2014. Várias questões relativas à mobilidade urbana, segurança e infra-estrutura esportiva estão recebendo atenção especial. No setor de hotelaria, a disponibilidade de leitos já é suficiente em São Paulo, Salvador, Curitiba, Porto Alegre. No Rio de Janeiro, talvez a cidade mais visada, há 19 projetos de novos hotéis em andamento, além da ampliação e recuperação dos que já existem. As outras cidades já estão encaminhando investimentos para aumentar sua capacidade hoteleira.
O setor de turismo vem se mobilizando em encontros em que o tema central tem sido exatamente a Copa de 2014. O Congresso Nacional de Hotelaria - Conotel 2009, que acontece em agosto no Rio de Janeiro, abrirá um importante espaço às discussões sobre os preparativos do setor para receber o evento, assim como aconteceu no 4º Salão de Turismo, em São Paulo, quando agentes do setor trouxeram propostas para otimizar a organização e os investimentos. Entre as sugestões, há algumas medidas que também podem servir de atrativo para grupos específicos de turistas. A exemplo da Alemanha, é importante que as cidades escolhidas para sediar os jogos façam um planejamento estratégico e procurem abrigar seleções de países afins com sua cultura. Os dados sobre a Copa da Alemanha de 2006 mostram também o tamanho da oportunidade que o Brasil tem pela frente a partir da Copa de 2014. A expectativa inicial de incremento de fluxo turístico no país durante o período de realização dos jogos é de aproximadamente 500 mil pessoas. A última competição, em 2006 na Alemanha, trouxe cerca de 800 milhões de euros para o país-sede. Na hotelaria, o impacto foi de mais de 12 milhões de pernoites, entre junho e julho, período do evento.
Outro ponto importante é a capacitação profissional. Desde já, é importante investir na qualificação do profissional que receberá os visitantes e se relacionará no dia-a-dia com o turista em nosso país. Os setores que serão impactados pelo evento precisam estar tecnicamente estruturados e preparados para atender a uma demanda diferenciada, que virá de várias partes do planeta, num curto espaço de tempo. Serão esses profissionais – de diversos setores – que terão papel fundamental para que o turista que veio para a competição futebolística, divulgue as qualidades de nosso país pelo mundo. Aproveitar a visibilidade que a Copa do Mundo traz para um país e, a partir daí, garantir para o Brasil uma nova colocação no cenário turístico mundial, isso sim, seria um verdadeiro gol de placa.
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